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Governo do Amazonas adia para 2010 a vacinação contra aftosa em 12 municípios

O governo do Amazonas adiou para 2010 a vacinação do gado contra a febre aftosa em 12 municípios do Estado. Problemas climáticos dificultaram a imunização do rebanho.

Na propriedade de Antônio Martins, no município Careiro da Várzea, no Amazonas, o gado está pronto para ser vacinado contra a febre aftosa. A fazenda dele está dentro da área chamada "Calha do Amazonas", região localizada a leste do Estado e que faz divisa com o Pará. "Está tudo no ponto para esperar a vacina”, disse.

O gado de seu Antônio, bem como de outros da região da Calha do Amazonas, não irá receber a dose da vacina contra a febre aftosa este ano. Problemas climáticos atrapalharam os trabalhos de vacinação no Estado.

Primeiro foi a cheia, que deixou os animais ilhados e sem pasto. O nível do rio Amazonas subiu a um dos maiores patamares das últimas décadas. Quando o nível da água baixou, o capim ficou coberto pelos sedimentos deixados pelos rios.

Depois, veio a seca que deixou o gado magro e sem forças. Na região entre Nhamundá, no Amazonas, e Faro, no Pará, as árvores secas marcam o caminho. O gado está fraco e lambe os cochos vazios.

No Careiro da Várzea, a 30 quilômetros de Manaus, a Secretaria Estadual de Produção Rural estima que 20% das 70 mil cabeças de gado tenham sido perdidas este ano com a cheia e a falta de pasto.

O gado do criador Raimundo Fernandes também sofreu muito. Agora, se beneficia do pasto verde. "O capim que foi plantado já vem. Hoje, está comendo. O gado está bem melhor. Se fosse preciso abater, dava até para abater”, disse.

Apesar de o gado ter se recuperado, o governo estadual considera que os animais ainda estão fracos para receber a dose da vacina contra a febre aftosa. Por isso, decidiu adiar a campanha de vacinação para 2010.

Em 12 municípios da Calha do Rio Amazonas, a segunda fase da campanha estava prevista para o mês de agosto, quando o Estado ainda passava pela maior cheia da história. Agora que o pasto está seco, o gado está espalhado por extensas áreas de várzea, o que dificulta o trabalho dos técnicos.

"Como estava na época da cheia, os animais estavam muito fraco para efetuar uma agulha oficial. Como a reação da vacina é muito forte, ia haver mais mortalidade dos animais", explicou Franciney Souza, técnico agropecuário.

A campanha de vacinação contra a aftosa nos municípios da Calha do Rio Amazonas deve começar em fevereiro.

Globo Rural
 

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